Jesus nos deu a mais clara instrução sobre como trazer a realidade do Seu mundo para este. Os generais do avivamento nos têm falado já há séculos que “se orarmos, Ele virá!”. A oração bíblica é sempre acompanhada por uma obediência radical. A oração com obediência será sempre respondida por Deus liberando a natureza do céu para as nossas debilitadas circunstâncias.
O modelo de Jesus revela quais são as duas verdadeiras prioridades da oração: a primeira é a intimidade com Deus, o que se expressa na adoração – santificado seja o teu nome; a segunda é trazer o Seu Reino à terra, estabelecendo o Seu domínio sobre as necessidades da humanidade – venha o teu Reino.
Enquanto nos preparamos para examinar esta oração, permita-me destacar mais um pensamento que nos ajudará a compreender melhor o propósito que está por trás da oração. Como discípulos, somos tanto cidadãos como embaixadores de um outro mundo. A nossa tarefa é pra ser feita aqui nesse mundo, mas o nosso lar não está aqui. O nosso propósito é eterno. Os recursos necessários para completar a nossa tarefa são ilimitados. As únicas restrições são as que se acham em nossa mente. Examinemos agora a oração de Mateus 6. 9-13, começando com a primeira frase:
“Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome;”
O título PAI é um título de honra e um chamado para um relacionamento. Para sermos verdadeiros adoradores, tudo o que precisamos saber é o que Deus fez para tornar possível que O chamemos de “Pai nosso”. Santificado significa respeitado ou reverenciado. É também uma expressão de louvor. No livro de Apocalipse, fica claro que as principais atividades do céu ficarão patentes em nosso estilo de vida.
A adoração deve ser a nossa maior prioridade no ministério. Tudo o mais que fizermos será influenciado por quanto nos empenhamos em adorar ao Senhor. Ele habita em nosso louvor. Nossa tradução expressa isso da seguinte maneira: “Tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”. E Deus responde literalmente com uma invasão do céu na terra através da adoração do crente.
“Venha o teu reino; Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.”
Este é o ponto principal para toda oração. Pois o que existe no céu é pra ser liberado na terra. O cristão, através da oração, é que faz com que o céu se expresse aqui neste mundo. Quando o crente ora de acordo com a vontade revelada de Deus, a fé se torna precisa e voltada para um só alvo. A fé apropria-se da realidade do céu. E uma fé permanente não a deixa escapar. Uma invasão assim faz com que as circunstâncias terrenas se alinhem com as celestiais. Tudo o que acontece aqui é para ser uma sombra do céu. Em contrapartida, toda revelação que Deus nos dá sobre o céu. Em capacitar-nos a nos concentrarmos na oração.
Até que ponto Deus tem como propósito manifestar aqui na terra as realidades do céu? Por certo, ninguém sabe. Mas sabemos, pela história da Igreja, que é bem mais do que a nossa mente possa ter imaginado.
Podemos ver a vontade de Deus na Sua presença reinando entre nós, pois “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. Sempre que o Espírito do Senhor esteja demonstrando o Senhorio de Jesus, o que resulta é liberdade. Ainda, um outro modo de expressar isso é: “quando o Rei dos reis manifesta o Seu domínio, o fruto desse domínio é LIBERDADE”. Essa é a esfera à qual nos referimos como O Reino de Deus. O Senhor, em resposta a nossos clamores, traz o Seu mundo para dentro do nosso.
Por outro lado, aquilo que não tem a liberdade de existir no céu tem de ser amarrado aqui. Mais uma vez, é através da oração que temos que exercer a autoridade que nos foi dada. “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra será ligada nos céus; e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 16.19). Podemos amarrar ou liberar aqui na terra aquilo que já estava amarrado ou liberado no céu. Novamente, o céu é o nosso modelo.
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”
Será que há alguém passando fome no céu? É claro que não. Pedir o pão é uma aplicação prática de como o Domínio do Senhor deve ser visto aqui na terra – suprimentos em fartura. O abuso de algumas pessoas na área da prosperidade não nos dá o direito de abandonar as promessas de Deus em relação a prover com abundância a Seus filhos. Ele tem o maior prazer em fazer isso. Pelo fato de haver provisões completas e perfeitas no céu, tem de haver o mesmo aqui. O céu é o padrão para o mundo material do cristão – o suficiente para satisfazer aos desejos que vieram de Deus e suficientes para “toda a boa obra”. A nossa base legal para recebermos as provisões de Deus provém do modelo celestial que nos foi dado em Cristo Jesus: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” Segundo o quê? Sua riqueza. Onde? Em glória. Os recursos do Céu são para nós, aqui e agora.
“E perdoa as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.”
Há falta de perdão no céu? Não! O céu nos dá o modelo para os nossos relacionamentos aqui naterra. “Sede uns para os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” Esses versículos deixam bem claro que o nosso modelo é Jesus Cristo, Aquele que subiu à destra do Pai, Aquele cujo Reino procuramos. Mais uma vez esta oração descreve um modo prático de como orar para que a realidade do céu tenha efeito sobre o planeta terra.
“E não nos deixe cair em tentação; mas livra-nos do mal.”
Não há tentação nem pecado no céu. Nem há lá qualquer vestígio do pecado. Ficar longe do pecado é o que nos mostra, na prática, que estamos sendo dirigidos pelo nosso Rei. Esta frase da oração não significa que Deus quer nos tentar. Sabemos, de Tiago 1.13, que Deus a ninguém tenta a cometer pecado. Orar desse modo é importante porque nos faz encarar a necessidade que temos da graça; e ajuda-nos a alinhas o nosso coração com o céu, em total dependência de Deus. O Reino de Deus nos dá o modelo para as questões do coração. Esta parte da oração é na verdade um pedido para que Deus nos promova para uma posição acima do que o nosso caráter consegue dominar. Às vezes a nossa unção e os nossos dons, mas não o nosso caráter, estão prontos para terem uma responsabilidade maior. Quando esta promoção ocorre cedo demais, o impacto dos nossos dons nos coloca em destaque, numa situação que favorece a nossa queda.
A oração livra-nos do mal, como normalmente é traduzida, na verdade significa livra-nos do maligno. Um coração modelado de acordo com o céu tem muito sucesso na guerra espiritual. É por isso que está escrito: “Sujeitai-vos a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”
Jesus pode dizer, com respeito a satanás, que ele: “nada tem em Mim”. O crente deve ser totalmente liberto de toda opressão satânica e de tudo o que o diabo traz. É isso que se pede nesta oração.
“Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”
O Reino de Deus pertence a Ele. E é por isso que somente Ele pode nos dar o Seu Reino. Quando declaramos esta verdade, passamos de uma simples declaração para um ato de louvor! Por toda parte nas Escrituras ouvimos declarações de louvor semelhantes a esta, contida no modelo de oração que o Senhor, que declara que toda glória e todo poder pertencem a Ele.
Mais uma vez, esta oração tem dois objetivos: (1) Servir a Deus a partir de um relacionamento pessoal com Ele; e (2) trazer a realidade do Seu reinado (o Reino) à terra.
Um esboço do texto de Mateus 6. 9-13 mostra-nos como acessar o Reino através da oração:
1 – Louvor e adoração
2 – Orar pelo céu na terra
* Ação do céu sobre necessidades materiais
* Ação do céu sobre o nosso relacionamento com o mal
3 – Louvor e adoração